Escrito por Marcio às 21h10
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NEUROSE E PARANÓIA

A neurose é um disturbio que ataca mais os homens. E a paranóia ataca mais as mulheres.

Veja essa sua reação, por exemplo.



Escrito por Marcio às 21h02
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_ Você não quer me ajudar a dar um fim na minha coleção de camisinhas?

Escrito por Marcio às 20h05
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PROTETOR DE CÁRTER

O vendedor da concessionária perguntou se eu não gostaria de equipar meu carro novo com um "protetor de cárter", uma peça "fundamental pra que o sistema de lubrificação do veículo não seja danificado e o óleo vaze".   

Se a peça é tão fundamental, por que é que ela não vem com o veículo ?

_ Vamos fazer o seguinte, meu amigo: tire os faróis e inclua o tal protetor.

Pra mim, "protetor de carter" é segurança de ex-presidente americano. Mas vamos lá.



Escrito por Marcio às 19h49
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SURF

 

 

Se eu me percebo na influência de uma onda qualquer

Eu me envolvo e vou fluindo pro que der e vier

E se percebo, de repente, que a virada é o rap

Vou na onda, tô no pico, pronto pras quebrada

A minha história é na hora, não é coisa armada

Sai na raça, sai no peito e sai agora



Escrito por Marcio às 19h47
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INQUIETUDE

Fui um garoto inquieto.
Hoje sou um pouco menos garoto.

Sempre fiz arte.
Só que hoje eu ganho mais do que puxões de orelha.



Escrito por Marcio às 19h45
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CONTUDO

EU NÃO ME CONTENTO COM POUCO.  EU ME CONTENTO COM TUDO.



Escrito por Marcio às 19h43
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Quando consegue promover um hiato na lógica, o humorista se equipara ao zen budista.

O humor é uma espécie de koan.



Escrito por Marcio às 19h41
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A arte nada mais é do que o amor ganhando vida



Escrito por Marcio às 12h25
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LESADO

 

Eu sempre fui um lesado. E eu me sentia totalmente desajeitado, incompetente.  

Eu sou daquele tipo que tenta tirar a calça sem tirar o sapato, só pra não ter que colocar o sapato de novo. Ou aquele cara que tem a maior dificuldade em pregar um prego na parede, até que resolve deixar a caixa de ferramentas em algum lugar, porque o movimento da martelada fica muito prejudicado quando a gente tem uma caixa de ferramentas debaixo do braço.

Eu sou capaz de parar atrás de caminhão parado e ficar esperando abrir um sinal que não existe. Eu consigo regular a temperatura da água no chuveiro. Não consigo usar aparelho eletrônico nenhum além da tecla play. Pra não chorar de desgosto, eu comecei a rir de mim mesmo. A minha incompetência então serviu para alguma coisa. No fundo, toda incompetência pode ter um final feliz. Sou um palhaço, sem nariz.

 

 


 



Escrito por Marcio às 19h46
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Escrito por Marcio às 18h51
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HOJE EU RIO.

AMANHÃ, OCEANO.



Escrito por Marcio às 18h45
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Para viver mais leve, eu tiro o rei da barriga.



Escrito por Marcio às 00h58
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Amor e humor são pequenas variações fonéticas de uma mesma coisa.



Escrito por Marcio às 00h54
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Eu nunca me irrito.

Os outros é que me irritam.



Escrito por Marcio às 00h51
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Deus deu aos homens a inteligência.  Por arrogância, alguns não pegaram.



Escrito por Marcio às 00h49
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_ Sais de banho?

_Saio todos os dias, ora pois.



Escrito por Marcio às 14h15
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NÓS

Somos um texto só.

É aqui que as nossas linhas da vida dão um nó.



Escrito por Marcio às 01h06
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O  humorista -  assim como o poeta e o cronista -  tem a missão de inspirar as pessoas a viajarem mais em tudo que aparentemente está parado.   



Escrito por Marcio às 01h00
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Eu olho as coisas de longe, para que elas não saiam voando.

 



Escrito por Marcio às 00h59
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A vida sem loucura é um tédio.

A loucura é o meu remédio.

 



Escrito por Marcio às 00h57
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VIZINHOS

 

 

Eu odeio despertador. Principalmente quando é a do vizinho. Ele toca as cinco da manhã e fica esperando alguém pra desligá-lo. E isso todos os dias, desde sábado passado, quando o vizinho levantou às 5 da manhã, provavelmente pra ir pro aeroporto e viajar. 

No sábado mesmo eu já fiquei pê da vida. Cinco horas da manhã: isso são horas? E teria dado uma porrada no despertador - ou no vizinho – não fosse aquela parede que nos separa.

No meu prédio, tudo é muito fino, principalmente as paredes.  A gente ouve tudo o que rola na vizinhança. Tem uma senhora viciada em coca. A gente escuta a porta da geladeira batendo, depois escuta um copo de vidro sendo deixado no chão e finalmente ouve um grande arroto, seguido de um  sonoro ahhhhhh!

Já dá pra imaginar: nenhum sexo no prédio é seguro, nem mesmo gemidos e sussurros.

No elevador, nós nos entreolhamos com aquela cara de cumplicidade. Ninguém fala uma palavra, mas todos nos sentimos muito íntimos.  



Escrito por Marcio às 11h14
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CUMPRIMENTOS 

 

Repare que coisa interessante: quando você está num ambiente com pessoas estranhas e ninguém fala absolutamente nada, você se despede dizendo: “falô”. Se não falô, então por que “falô” ? 

E o contrário também é verdadeiro. Você cruza com alguém com quem não quer falar nada e vai dizendo “falaê”. A pessoa não vai falar nada. E você nem quer que ela fale mesmo.

É desconfortável ficar em silêncio na relação com  outras pessoas. Então a gente acaba dizendo qualquer coisa, que os outros nem prestam atenção. Eu por exemplo, fiz um teste: comecei a usar como cumprimento uma menção honrosa às nádegas da pessoa,“Bundinha, minha senhora”.  Nunca ouvi nenhum palavrão como resposta. Descobri que o que importa mesmo é a nossa expressão facial. Com um largo sorriso no rosto e um amistoso aceno de mãos, a gente pode até cumprimentar dizendo “vai a merda!”.  A pessoa vai, feliz.



Escrito por Marcio às 11h12
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Escrito por Marcio às 17h08
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O metrô tem uma voz que diz: “Ao embarcar, cuidado com o vão”.

Saquei por quê. É que as portas se abrem e as pessoas vão.

 

Dia desses eu desembarquei na Sé contra a minha vontade.

E não adiantou nada eu saber nadar.



Escrito por Marcio às 16h42
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FERIADÃO

 

No feriado, dei várias voltas no parque, sem botar o pé no chão.  Fui logo arrastado por uma enxurrada de pessoas.  Tentei desesperadamente nadar sobre as cabeças, para atingir a margem. Mas a correnteza de gente era mais forte e foi me levando para onde ela queria. E o pior é que nem ela sabia o que queria. A sorte foi que um senhor muito gordo espirrou lá no meio, fazendo  uma “ola”, que acabou me cuspindo pra fora do parque. Lá fora, um cambista disse que conseguiria pra mim um outro lugar.  Ele me pediu cinco reais pelo lugar que o filho estava guardando no meio da multidão. Mas eu ainda teria que pagar o resgate, pra tirar o garoto de lá.



Escrito por Marcio às 16h47
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BEIJOS

 

 

O beijo é o melhor remédio para a falta de assunto. Beijando, ninguém precisa dizer mais nada. Até porque a boca é uma só. Embora também existam pessoas que falam pelos cotovelos.

Mas para outras pessoas, o beijo é a oportunidade de se botar o papo em dia. Por isso inventaram os 3 beijinhos. Entre um beijinho e outro, as madames do high society falam sobre tudo. Observe.  

Isso justifica o costume carioca  de dar dois beijinhos: qualquer encontro vale um papinho. Paulista só dá um beijo. Pode ser  medo de ficar com o beiço perdido no espaço, se a outra pessoa tirar o rosto sem querer.
Para evitar mal-entendidos, é que normalmente a gente vai beijando e vai combinando: “dois pra casar” e “três para não morar com a sogra”. Depois “quatro pra sogra não morar com você”. Cinco já é praticamente um convite, tipo “Quer conhecer a sua futura sogra?”

O beijo normalmente é um ótimo começo. Mas também pode ser o princípio do fim.

Depois de um beijo de língua, nunca se oferece chiclete a ninguém.



Escrito por Marcio às 12h17
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SOBRE NOSSAS CABEÇAS

 

 

São Paulo só não tem mais helicópteros do que Nova Iorque porque muitos deles caem. Vira e mexe a gente vê algum helicóptero que caiu. E eles caem cada vez mais perto da gente. Recentemente, caiu um em cima de um carro, em pleno horário de rush, no meio de uma movimentada avenida em São Paulo. 

Sair de casa está cada vez mais arriscado. Agora, antes de atravessar uma rua, nós temos que olhar para a esquerda, pra direita e pra cima. Se não vier carro nem helicóptero, a gente atravessa.



Escrito por Marcio às 12h14
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FILA

 

Brasileiro gosta de uma fila. Ele acha que tudo que é muito fácil não tem valor. Então tem que pegar fila.

A gente pega fila até sem saber por quê. O negócio é garantir um lugar. Vai que é bom.

A fila é um grupo virtual que tem por objetivo se desfazer o quanto antes. Por mais legais que sejam as pessoas na fila.

Mas gente que não é tão legal. O fura-fila é aquele cara que pára pra conversar com a pessoa da sua frente e acaba passando você e o resto da fila na conversa. Pode ser que ele seja o último a ser atendido e você será, literalmente, passado pra trás.

A fila que a gente entra normalmente é aquela que não anda. E se a gente mudar de lugar, a outra é que não vai andar.

Quanto maior é a fila, mais o seu lugar está valendo. Tem gente que ganha a vida guardando lugar em filas. Leva cadeirinha, colchonete e até fogãozinho. Depois vende o lugar e compra outra cadeirinha, pro filho também entrar na profissão.

Duro é pegar a fila errada. Quando chega a nossa vez a gente descobre que perdeu três horas à toa. Quer dizer: não totalmente à toa. A gente aprendeu a conjugar o verbo filar.

Filou um cigarro. Filou uma bolacha. Filou o caderno de esportes do jornal do vizinho. Filou um carteado. Mas não importa: foram três horas numa fila sem precisar.

E tem aquela fila que não anda, porque sempre entra uma gestante na sua frente. Sem barriga nem nada. Fila da mãe!



Escrito por Marcio às 09h03
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FICAR E NAMORAR

 

Ficar é aquele tipo de relação que não vai a lugar nenhum. Por isso é que o nome é ficar. Você sempre fica onde está. Namorar é quando você começa a ficar na casa da namorada, se a família dela deixar você ficar. Primeiro, a garota vai apresentar você pro pai dizendo: “Pai, esse é o Maneco”. O pai não vai fazer muita festa, mas é assim mesmo. E é melhor do que ele lhe dar um murro na cara, que é o que ele gostaria de fazer.

Ficar é um tipo de propaganda boca-a-boca. Você vai beijando. Se você beijar bem, as chances da coisa virar um namoro são boas. E se a sua boca, além de beijar, também mandar bem no papo, aí as chances são bem maiores. Agora, se você não for a fim de levar a parada a sério, dê um beijo meia-boca. E use a outra metade da boca pra respirar aliviado.



Escrito por Marcio às 08h56
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Quando coloquei meus óculos pela primeira fez, eu fiquei feio. Mas as mulheres ficaram lindas.

Escrito por Marcio às 10h03
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MÃE

mãe não rima com nada

porque não há nada igual

mãe é mãe

e ponto final



Escrito por Marcio às 12h52
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SLOW DOWN



 

Quando a gente pára, as idéias nos alcançam.



Escrito por Marcio às 12h51
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Escrito por Marcio às 12h47
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VIDA DE CRAQUE 

 

Bem que eu tentei ser um grande jogador de futebol.

Comecei a jogar pelada na praia, que ficava pelada quando eu jogava. Era areia pra tudo quanto é lado.

O meu talento era um talento raro. Tão raro que nem aparecia. Me deixava na mão toda vez que eu precisava.

Eu tinha que comprar a bola do jogo pra poder jogar.

Um dia, como ninguém me passava a bola, eu resolvi mudar de time no meio da partida. Quer humilhação maior? Eu mudei de time no meio da partida e ninguém notou.

Todos aqueles que não acreditaram em mim eu silenciei com um gol. O gol mais bonito da minha vida foi um gol contra. E foi de propósito.



Escrito por Marcio às 12h42
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GUARDA-CHUVA

Guarda-chuva é um objeto que foi feito pra ser esquecido.

Sempre alguém perde, alguém acha, depois perde e alguém acha.

A gente perde de propósito. Ninguém quer ficar com esse mico na mão.

Pior: quando pára de chover, o bicho fica encharcado.

Por isso é que se chama guarda-chuva.

Se der vontade de tomar o resto da chuva amanhã, tá na mão.

 



Escrito por Marcio às 17h58
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NHOQUE DA SORTE

 

Tinha que botar uma nota de um real debaixo do prato de nhoque e depois levar na carteira, pra dar sorte.

Resolvi botar logo uma de dez, pra dar dez vezes mais sorte.

Não tinha de dez, foi uma de cinqüenta.

No fim do almoço, o garçom ficou com toda minha sorte.

Trouxe uma moeda vinte e cinco centavos, que eu rapidamente desovei na mesa.



Escrito por Marcio às 16h13
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_ O senhor está filiado a qual escândalo, deputado?



Escrito por Marcio às 11h09
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Delírio quixotesco: moinhos viram dragões porque moinhos são muito chatos.

Escrito por Marcio às 11h06
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Bookmarcio: www.marcioreiff.com.br



Escrito por Marcio às 13h00
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Escrito por Marcio às 12h41
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